Crise da dance music?

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Dando as costas para o toca-discos
Simon Reynolds – NY Times

Nos primeiros meses de 2005, duas das maiores bandas de dance music eletrônica lançaram seus novos álbuns: “Push the Button” do Chemical Brothers e “Human After All” do Daft Punk. Assim como no outono passado, com os lançamentos do Prodigy e Fatboy Slim, também não contaram com multidões correndo à s lojas ou uma recepção calorosa nas rádios.

Durante seu auge no final dos anos 90, estes grupos eram os Quatro Grandes da música eletrônica, com sua música fundindo a batida das baterias eletrônicas do techno com riffs pesados e refrões que funcionavam muito bem tanto nas rádios de rock quanto nas pistas de dança. O sucesso do Prodigy ofuscou todos os demais (”The Fat of the Land” vendeu quase 3 milhões de cópias só nos Estados Unidos), mas o Daft Punk e o Chemical Brothers desfrutaram de sucessos na MTV (”Da Funk” e “Setting Sun”, respectivamente), enquanto faixas de Fatboy Slim adquiriam onipresença por meio de trilhas sonoras de filmes e comerciais de TV.

Naqueles dias, a música eletrônica estava tão na moda que Madonna pegou dois trens diferentes do techno em rápida sucessão, assimilando os riffs eufóricos do trance com “Ray of Light” e imitando a efervescência cintilante do house francês em “Music”. O modo intimidador da comunidade eletrônica na época era exemplificado por Paul Oakenfold, o DJ superastro britânico, que tentou promover sua marca emotiva de trance nos Estados Unidos na crença de que este país seria a próxima grande fronteira comercial da dance music.

Mas aconteceu o oposto. No novo milênio, o perfil de grande público da dance music naufragou de forma alarmante. Esta reversão ocorreu em ambos os lados do Atlântico, mas foi particularmente acentuada nos Estados Unidos, onde a música eletrônica foi empurrada para fora das paradas pelos dois vagalhões do nu-metal e do pop-punk, juntamente com a força perene do hip-hop.

Mas não foi apenas um caso de guardiões da mídia de massa abandonando a música eletrônica. Algo estava doente na raiz da cena. Superclubes antes lotados começaram a fechar, ou a se mudarem para locais menores. As grandes festas rave, antes o esteio da cultura dance, se tornaram quase extintas.

“As raves estão mortas na área de Los Angeles”, disse Dennis Romero, observador da cena da Costa Leste e editor de notícias da revista dance BPM.

Ainda em 2001, o Sul da Califórnia ainda era um dos cenários mais vibrantes de rave nos Estados Unidos, mas Romero disse que os jovens não saem mais para grandes eventos, particularmente devido ao desgaste provocado pelo ecstasy. “Os superclubes daqui também estão vendo uma diminuição nos números”, disse ele, “com noites populares como a Spundae temporariamente suspensa e o fechamento do Red”.

Não foi apenas as vendas de música eletrônica híbrida que caíram; as vendas de música dance underground em lojas especializadas também caíram. “Isto se deve em parte � Internet, pois as pessoas simplesmente pegam música de graça. Mas também porque as pessoas não estão comprando coisas da forma como estavam quando a música era realmente nova no início dos anos 90.” Durante o auge da cultura rave, um hino underground podia vender entre 10 mil e 50 mil cópias. Hoje, vender 1.000 cópias de um single de 12 polegadas é considerado um bom resultado.

O que aconteceu? Uma causa é a contínua fragmentação da cultura dance em uma infinidade de microgêneros com parâmetros estéticos estreitos e pequenos nichos de seguidores. Outro fator é a excesso de produção musical, que na prática divide o bolo em fatias menores.

Mas o tamanho do bolo também parece estar encolhendo. A dance music simplesmente perdeu a atenção do consumidor. Isto pode ser, em parte, por uma questão de moda: a dance music eletrônica já está presente há tempo suficiente para perder seu status de “garoto novo no bairro subcultural”. A música se tornou familiar, e a familiaridade provoca enfado.

Outros gêneros certamente já sofreram deste tipo de problema; a dance music está passando pela crise da meia-idade que aflige qualquer gênero que está presente há algum tempo (pense no rock nos anos 80).

“Nós estamos esperando pela próxima grande novidade na dance music para voltarmos”, disse Norman Cook, o homem por trás de Fatboy Slim. “No momento nós estamos entre as grandes novidades, e ninguém sabe exatamente qual será a próxima.”

Tradução: George El Khouri Andolfato

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