Como se faz um set
(por Hugo Siqueira)
A técnica, somada ao repertório e feeling do DJ são os componentes de um set. Influenciam também outros vários fatores, como o público e a finalidade para qual o set está sendo feito, o estilo, timbre e bpm das músicas e por aí vai.
O princípio básico é passar de uma música para outra, ajustando-se as batidas da segunda sobre a primeira, de forma que, enquanto o som das duas está aberto, o compasso delas mantenha-se o mesmo. Para trabalhar a passagem pode-se usar o volume, o controle de grave, médio e agudo, efeitos, loops (repetição de trechos) e scratchs (manipulação do vinil ou simulação disto nas CDJs – tocador de cd especial para mixagem – de última geração).
Vamos ver isso na prática, usando o set It’s Function! 02 para exemplificar.
Por volta de 03’35’’ começa a entrar a segunda música. Note que as elas tocam juntas até 04’17’’. Na CDJ existe um controle, chamado pitch, que regula o tempo da música. A primeira música foi gravada originalmente com 124 bpm (batidas por minuto). A segunda é um pouco mais rápida e para sincronizá-las seu pitch foi diminuído.
Ajustado o pitch e já tendo marcado o ponto em que a música vai começar, “solta-se” a música e vai aumentando seu volume. Se não for uma passagem rápida (cortando uma e já soltando a outra ou vice-versa) as duas ficarão um tempo tocando juntas e, para que a passagem se dê de forma mais suave, são ajustados gradativamente graves, médios e/ou agudos, além do volume, até que uma música substitua a outra.
Feita a passagem, escolhe-se a nova música e o processo se repete. No set de exemplo, a terceira música entra em 06’41’’. A quarta por volta de 08’50. E assim por diante. Nessa última o volume apresenta variações abruptas e alguns sons se sobrepõem de forma não muito regular. Duas habilidades que vão sendo adquiridas com a prática são a percepção desses detalhes e o feeling para fazer as passagens “mais bonitas”. Usa-se a expressão “sambar” para se dizer que houve uma confusão entre as batidas.
A quinta música entra em 11’44’’. É um techno, estilo em geral mais pesado e com batidas mais rápidas, e o seu bpm teve que ser bastante reduzido para poder “casar” com a música anterior. Significa que a música foi gravada originalmente com 134 batidas por minuto mas utilizando-se o controle de pitch, as batidas foram reduzidas para cerca de 124 bpm. Durante um set o bpm pode aumentar ou diminuir, dependendo da intenção do dj e respeitando-se as limitações técnicas.
Aos 14’40’’ já se começa a perceber a música seis, outro techno, que também teve seu bpm reduzido. Em 16’25’’ entra o vocal da sétima música. Aos 19’20’’ volta Frontiere, a música seis. O vocal vai sendo diminuído. Corte rápido para o samba-enredo, retorno do techno e finalmente a última música entra por volta de 23’40.
Os sets disponibilzados no Function! Podcast são gravados utilizando-se um par de CDJs e um mixer, cuja saída de som está ligada a um computador. O som é captado utilizando-se um programa de captação de áudio (Soundforge, por exemplo). O software vai gerar um arquivo de áudio (wave), que é comprimido e transformado no formato MP3
Dependendo da finalidade, os sets podem ser produzidos também em programas que permitem a manipulação e “colagem” de arquivos de áudio (e/ou MIDI – protocolo de troca de informações), dispensando o uso das pickups ou das CDJs. Esses sets podem ser pré-produzidos ou feitos na hora (normalmente chamados Live PA).

Neste Set foi usado o BPM nas músicas ou os ajustes foram feitos manualmente
(no ouvido)?
Grato