E que batam los cabelos! – F! News Agosto 2006
por Hugo Siqueira
(o Function! News é publicado mensalmente no portal gls www.paroutudo.com.br com informações sobre música eletrônica e afins)
Segundo a genealogia da música eletrônica, a disco virou house music, que se multiplicou em dezenas de subgêneros: deep house, mais calminha; progressive, com influências do trance; tech-house, com pouco vocal e as repetições do techno; tribal, caracterizado pelas batidas marcadas, como o próprio nome indica etc…
O tribal juntou-se aos vocais meio gritados das divas e serviu de impulso aos pescoços das drags. Criou-se a jogação e a bateção do cabelo! O nome bate-cabelo, carinhosamente – ou pejorativamente- denomina a música eletrônica “oficial” nas boites gays.
A conotação pejorativa se dá em função da fórmula fácil repetida exaustão. As letras tratam de uma volta por cima, uma fechação ou piranhagem. Ou são versões de hits pop em batidões tribal. Alguém aí falou em Whitney Houston?
Aproveitando o assunto, me perguntaram sobre a pronúncia de “tribal”. Em São Paulo, terra da meca “traiboul” The Week, a pronúncia é em inglês. O que s vezes soa meio pedante em terras candangas, onde vale mesmo o português, na forma em que se escreve.
Quer conferir alguns bate-cabelos clássicos? Procure no Soulseek, e-Mule ou afins: In The Ghetto – David Morales / On My Own (Thunderpuss Radio Edit) – Whitney Houston / Carolina Marquez – The Killer Song / Cha Cha Heels (Rosabel Big Room Vox) Rosabel & Jeanie Tracy / Armand Van Helden – Witch Doktor
Deixando o bate-cabelo e jogando o movimento para o ombrinho, sem perder o rebolado, sábado, dia 05, vale conferir os houseiros candangos Oblongui , Mr. Spacely e Nego Moçambique .
No domingo a pedida é conhecer o live act de Gui Boratto , na day party Skydelic. O produtor brasileiro de minimal estourou ano passado com a música Arquipélago, gravando pelos selos alemães Kompakt e Audiomatique.
A programação completa das baladas você sempre encontra na seção Jogação do portal Parou.Tudo e na seção Eventos, no Tuntistun.
The Six inaugura seu blog/podcast (www.seusix.blogspot.com). Gravado aos domingos, Seu Six, além de seis ótimas músicas, tem comentários e dicas do Pedrinho Tapajós. Você pode ouvir/baixar o primeiro programa aqui, ou cadastrar o feed “feeds.podcast1.com.br/seusix.xml”. Para quem tem i-Tunes basta ir em “Advanced / Subscribe to podcast” e colar o feed (sem http ou www).
Marcelo D2 estará em Brasília lançando sua grife “Manifesto 33 1/3”, no Brasília Fashion Festival. Não confundir o BFF com o CFW (Capital Fashion Week). Os dois eventos de moda racharam a cidade, mas a produção musical de ambos ficou por conta de Felipe Venâncio, já habitué dessas terras.
E por falar em D2, que mistura samba com hip hop, Sérgio Mendes, bamba da bossa-nova que se mandou para os EUA, mostra mais uma vez que enxerga longe. Em seu novo disco, Timelles, traz o Black Eyed Peas cantando “Mas Que Nada”. Claro, já ganhou vários remixes. O clip da música, apesar de clichezão, é delicioso. Se ainda não viu, assista aqui no YouTube.
Para quem gosta de New Order, prepare-se para ver a banda em novembro. Mas em Belo Horizonte, São Paulo e Rio. Ou Buenos Aires, para onde vão depois do Brasil. Veja info no site da banda.
Pra terminar: Quer saber o que mais aquele artista produziu ou remixou? O último lançamento da Kompakt? O Discogs – http://www.discogs.com – é um site em que se pesquisa música por artista, selo, nome do álbum etc. Oferece a discografia, tracklist, links e informações interessantes como outros nomes usados pelo artista (a.k.a.).
Glossário/links
a.k.a. – also know as (também conhecido como)
Feed – endereço para cadastrar o podcast, de forma que os novos programas sejam baixados automaticamente no computador do ouvinte, assim que disponibilizados.Kompakt – Selo (gravadora) alemão que congrega grandes nomes do minimal atual.
Live Act – É uma apresentação em que são usados aparelhos mecânicos ou softwares para produção e manipulação de sons e música, ao vivo.
Podcast – forma de divulgação de programas de áudio pela Internet. Os programas, gravados em qualquer formato digital (MP3 principalmente), ficam disponíveis em um servidor na internet para download (manual ou automático).
Samplear – Utilização de recortes de música na criação de outra.

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