O canto da Tiê

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A cantora Tiê, 28 anos, lançou seu primeiro disco – “Sweet Jardim” – em março. No disco, Tiê mostra suas composições, canta e toca piano e violão, em dez faixas de autoria própria, gravadas ao vivo, ao estilo low-fi. Na crista da onda folk-de-garagem (e de boutique) mundial. Malu Magalhães para adultos, dizem alguns. Se a comparação for pejorativa é injusta.

Em 2007 ela gravou um EP com quatro músicas, em parceria com Dudu Tsuda – tecladista das bandas Pato Fu, Jumbo Elektro, Cérebro Eletrônico e Trash Pour 4. Depois passou seis meses apenas compondo o restante das músicas do disco. “Sweet Jardim” conta com as participações especiais de Toquinho, Tatá Aeroplano, Gianni Dias, Tulipa Ruiz, Thiago Pethit e Nana Rizinni. A concepção estética é da estilista Rita Wainer, que também assina a capa do disco.

Tié, que mora desde sempre no bairro de Perdizes, em São Paulo, foi modelo, cursou Relações Públicas, na FAAP, estudou canto em Nova Iorque e foi dona de um brechó/ restaurante em São Paulo. No Café Brechó, conheceu duas figuras importantes para sua carreira na música: Dudu Tsuda e o compositor Toquinho, com quem a cantora gravou sua primeira música e viajou pelo Brasil e Europa em turnê. Em 2008 começou a fazer shows solo e entrou para as listas de cantoras promissoras na imprensa. Agora, está em temporada de divulgação cult-chic: Barcelona, Berlim, Favela Chic de Londres e Paris e Nablu, em NY. O début foi uma temporada de quatro shows gratuitos no Studio SP. Em maio pousa no Rio.

As composições são autobiográficas, delicadas e conquistam. Como em Passarinho, que fala sobre seu nome, ou na emocionante “A Bailarina e o Astronauta”. A base da maioria das canções é o violão tocado por Tiê, a que somam efeitos incidentais e intervenções. Outras trazem a letrista/cantora ao piano. A música título, “Sweet Jardim”, um folk-feliz, tem os violões do Toquinho.

“Sweet Jardim” é produzido pelo produtor, músico e DJ carioca Plínio Profeta. O multiinstrumentista (toca baixo, cavaquinho, guitarra, teclados e programações) já assinou produção de discos Lenine, Pedro Luís e A Parede, Lucas Santtana, Xis, Katia B, Fernanda Abreu, Pavilhão 9 e De Leve. A produção foi num esquema colaborativo como mostra o texto de Marcus Preto para a Folha de São Paulo, transcrito abaixo.

Você pode ouvir o disco no myspace da cantora – http://www.myspace.com/tiemusica

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Leia texto de Marcus Preto, para Folha de São Paulo

Ainda que seus arranjos silenciosos façam supor uma completa solidão, “Sweet Jardim”, álbum de estreia da paulistana Tiê, 28, pode ser tudo –menos o trabalho de uma artista solitária. Foram muitas as mãos e cabeças envolvidas nos vários processos de sua criação, repetindo um esquema de colaboração mútua cada vez mais comum na cena independente.

Nele, os músicos driblam a falta de dinheiro dando de graça o que têm de melhor –seja criatividade, método ou mão de obra. Essas parcerias fazem a engrenagem rodar, gerando sua própria energia.

“São Paulo é meio precursora nisso”, diz o carioca Plínio Profeta, 39, produtor de “Sweet Jardim”. “Os músicos paulistanos são mais articulados. Um exemplo é o [coletivo] Instituto, que compõe, toca, cria selo, lança disco, um ajuda o outro. Quando um se destaca, todos ficam em evidência.”

É preciso não confundir essa cooperação artística com um novo movimento musical, como foi a bossa nova, a jovem guarda ou a tropicália. Aqui, os trabalhos de cada um dos elementos do grupo são radicalmente diferentes entre si em termos de estilo.

“Eu sou do rock, mas posso ajudar a Tiê, que faz um som mais leve, a criar uma letra ou a montar uma página no MySpace”, exemplifica Naná Rizzini, 28. Lançando seu primeiro EP, ela lembra que a rede não envolve apenas músicos. “Tenho amigos designers, fotógrafos, figurinistas… Assim, o projeto gráfico, a maquiagem, cabelo, os clipes, tudo vira custo zero.”

Tatá Aeroplano, 33, nota que os artistas estão mais interessados em compreender e dominar o lado não-artístico da música. E contabiliza o quanto estar inserido num esquema coletivo pode tornar viável a realização de um disco.

“A gente paga os caras envolvidos na produção, estúdio e mixagem, mas é uma quantia simbólica”, diz. “O CD mais recente da minha banda Cérebro Eletrônico custou R$ 15 mil. É pouco para o resultado que conseguimos.”

Moeda de troca

Finalizando a produção do segundo CD do Jumbo Elektro, uma das bandas de que faz parte, Dudu Tsuda, 29, diz que tudo vale como moeda de troca. “Você pede um microfone ou um gravador e acaba pagando com uma trilha, tocando um instrumento num jingle ou com uma garrafa de uísque.”

“O meu vai ser na base da camaradagem total da galera. Se eu fosse pensar em contratar músico, ficaria inviável fazer qualquer coisa”, diz Tulipa Ruiz, 30, que pretende estrear em disco este ano.

Ela afirma que esse revezamento dos mesmos artistas em vários álbuns não “vicia” a sonoridade dos trabalhos nem limita os horizontes estéticos dos envolvidos. “Ao contrário. A cada disco que a gente faz junto, um traz coisas novas para o outro”, diz.

“Isso acontece porque somos um coletivo em que todo mundo pode exercer totalmente sua individualidade”, define o ex-ator Thiago Pethit, 26, que acaba de lançar seu primeiro EP.

“Comecei a ficar infeliz com o teatro na mesma época em que dirigi um show da Tiê e do Dudu”, recorda. “Vendo eles no palco, entendi que o que eu queria para mim estava ali: um monte de gente jovem e interessante fazendo coisas para gente jovem e interessada.”

“Sempre achei que essa crise na indústria ia render uma virada artística”, conclui Plínio Profeta. “A turma dos anos 2000 reagiu e aprendeu que, juntando as forças, poderia fazer o que quisesse.”

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u531453.shtml

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  • Comments (1)
  1. Salve, salve!!!

    Ela é muito boa. Em breve estará na cidade.

    Sucesso!!