Maria Alcina, confete e serpentina…

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Maria Alcina completa sessenta anos em 22 de abril de 2009, hoje. Nascida na cidade de Cataguases (MG) foi para o Rio de Janeiro em 1972 e venceu a fase nacional do Festival Internacional da Canção com Fio Maravilha, de Jorge Ben, fazendo o Maracanãzinho vibrar.

Dona de voz grave e estilo irreverente é uma Carmem Miranda pós-moderna. Em 1973 ela fez sucesso com “Alô Alô”, samba de André Filho consagrado por Carmen. Além de canções da Pequena Notável, Alcina sempre incluiu em seu repertório músicas dos ícones do rádio, como Marlene, Emilinha Borba, Aracy de Almeida, Bando da Lua, Lana Bittencourt e Carmen Costa. Em 74, gravou com enorme sucesso Kid Cavaquinho, de João Bosco e Aldir Blanc.

Durante a ditadura, respondeu processo por “comportamento subversivo” dado à sua imagem extravagante.

Nos anos 80 voltou-se para o folclore musical nordestino, principalmente aquele com letras de duplo sentido como “Bacurinha” e “Prenda o Tadeu”. Como jurada de programas de TV como Chacinha, manteve o vínculo com seu público. Viajou pelo Brasil e exterior. Em 1992 gravou o disco “Bucaneira”.

No ano de 2004 gravou um CD de batida eletrônica, chamado “Agora”, com o Bojo, banda composta por Maurício Bussab, Fê Pinatti, Du Moreira e Kuki Stolarski. No CD, alguns clássicos de sua carreira, com roupagem eletrônica, como “Eu dei”,” Alô, alô” e “Fio Maravilha”; além desses sucessos, canções inéditas.

Em 2009, lança “Confete e serpentina”, produzido também pelo Bojo. Tem de surpreendentes versões para “Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua” (Sérgio Sampaio), “Roendo as Unhas” (Paulinho da Viola), e “Açúcar Sugar” (Tom Zé/Lô Borges) ao cancioneiro de jovens e criativos autores da cena independente, como Wado, Moisés Santana, Ronei Jorge, Adalberto Rabelo Filho, Piero Damiani e Roseli Martins, além da jovial veterana Alzira E.

Eletrônica ou sambista, carnavalesca ou reflexiva, a inquieta Alcina desafia o tempo e reafirma que ousadia é chama que não se apaga. A garotada levanta a bola para a veterana cortar. É ponto certo.

(Ouça “Espaço Sideral” e “Não para”, e eleia mais sobre o novo disco nesse myspace)
(Veja imagens do novo show no flick de Paulo Brasil)

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  • Comments (1)
    • Marcos Lúcio
    • abril 22nd, 2009

    É indiscutível o enorme talento desta cantora inaugural, como foi, também, a Carmen Miranda e como é, a nossa maravilhosa Elza Soares. A Maria Alcina sempre esteve à frente do seu tempo, fazendo trabalhos artísticos, bem brasileiros, com o que este país tem de melhor: musicalidade, calor, irreverência, ousadia, criatividade, inteligência, bom gosto, alegria, enfim, uma artista ditirâmbica e dionisíaca. Ela é nota dez e alucina, salve, salve!!!
    MARCOS LÚCIO