BFFFunction! – A Bossa é Nossa

A Bossa Nova, nossa princesinha do mar, faz cinquenta anos. Comemorações, celebrações e, claro, alguma crítica. Até hoje ainda sofre com a pecha de elitizada. Mas foi libertadora e antropofágica. Apropriou-se de um swing importado, no caso o jazz, misturou-o com um produto genuinamente nacional, o samba (canção), e deu no que deu. A batida que soou no Rio de Janeiro tomou o mundo.

“Chega de Saudade”, de Ruy Castro, é obra quase definitiva sobre o assunto. A Folha de São Paulo lançou a coleção 50 Anos de Bossa Nova, com vinte livretos (acompanhados de 20 cds) e textos do mesmo Ruy Castro. Por problemas de direitos autorais muita coisa ficou de fora (não há um volume sobre João Gilberto, por exemplo) mas a enormidade e a qualidade da produção bossanovística, aliadas ao texto leve e às belas fotografias, permitem entender um pouco a revolução causada por esse novo jeito de tocar e cantar. A Revista Bravo! encartou também uma coleção de livretos sobre o tema.

As gravadoras despejam coletâneas e novas edições de clássicos a cada ano. Novos artistas inspiram-se na cadência da bossa. A internet está cheia de arquivos de áudio e vídeo. Para ver, há também os filmes “Os Desafinados”, “Chega de Saudade”, “Vinícius”. Exposições, teses, misturas de gosto duvidoso, belíssimas reinterpretações, há de tudo um pouco. Para se ter uma idéia do acervo a ser pesquisado, existem mais de duas mil versões registradas de “Garota de Ipanema”.

Reza a lenda que a Bossa Nova nasceu das reuniões no apartamento de Nara Leão, em Copacabana, em que eram frequentes Roberto Menescal, Carlinhos Lyra, Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli (que namorou Nara e era o mais velho da turma, com 28 anos). Mas a bossa nasceu também da busca da batida perfeita no violão de João Gilberto, dos arranjos de Tom Jobim, das letras de Vinícius, das virtuoses de João Donato, na Tijuca – nas reuniões do Dick-Farney Fã Clube, nas boites da zona sul… Enfim, foi a convergência de uma efervescência cultural, musical e artística que se deu no Rio de Janeiro naqueles anos dourados.

A palavra bossa nova até então era adjetivo. Foi usada no início de 58, no convite (mimeografado) e em anúncio em giz, no Grupo Hebraico, no Flamengo. As duzentas e poucas pessoas que foram ao show que aconteceu ali liam no quadro-negro: “Sylvia Telles e um grupo bossa nova” . O “grupo” era Nara, Bôscoli, Lyra, Feitosa e outros instrumentistas. No mesmo ano foi o lançamento de “Chega de Saudade”, de Tom e Vinícius, por João Gilberto. O marco inicial foi instaurado.

De lá para cá, a Bossa ganhou o mundo, como sabemos. E hoje é pauta do dia. Do meu dia. E do seu. Pois ela sai detrás da montanha, como o sol, pelo mar, num barquinho a navegar. E invade sua praia, sua TV, internet, guarda-roupa, iPod.

O Brasília Fashion Festival, que acontece dias 14, 15 e 16 de novembro, no Alvorada Hotel, decretou que a bossa é nossa também. Pois a Brasília de Juscelino é pura bossa. O Rio de Janeiro que se ergueu do mar em direção ao planalto. E achou aqui água de beber, camará. Somos os filhos dessa revolução. Uma geração bossa nova.

O evento é coordenado por Paula Santana, com consultoria de Ronaldo Fraga. A direção artística dos desfiles locais está a cargo de Fabrício Viana. Hugo Siqueira produz as trilhas e cuida da curadoria musical dos desfiles. E o Function! Podcast leva até você um pouco da história, da música e da magia produzidas pela batida da bossa nova.

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